Investidores aumentam interesse em reduzir alocação em ações após rali, diz pesquisa

O forte desempenho da bolsa brasileira em 2026, com o Ibovespa acumulando alta de quase 19% no ano até fevereiro e rondando os 190 mil pontos, levou clientes a aumentarem a alocação em ações. Ao mesmo tempo, porém, cresceu a intenção de reduzir exposição à renda variável nos próximos meses, segundo pesquisa da XP com sua rede de assessores divulgada na quinta-feira (26).

A proporção de clientes que pretendem reduzir a alocação em ações passou para 9%, avanço de 6 pontos percentuais frente ao mês anterior. Já os que planejam elevar a fatia em bolsa somam 33%, alta de 2 pontos, enquanto 58% indicaram que não pretendem fazer mudanças, queda de 8 pontos.

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Os dados também mostram uma migração das faixas mais baixas para as intermediárias de alocação em ações. A parcela de carteiras com exposição de 0% a 10% caiu para 38%, redução de 6 pontos percentuais em relação a janeiro. Já a faixa de 10% a 25% subiu para 48%, alta de 8 pontos percentuais no mês.

Sobre o desempenho recente, 42% dos assessores afirmaram que as carteiras de seus clientes capturaram a alta, com performance em linha com o Ibovespa. Outros 32% relataram que os clientes aproveitaram pouco o rali por manterem baixa exposição à renda variável brasileira, enquanto 17% indicaram desempenho acima do índice.

Renda fixa segue líder, e fiscal preocupa

Mesmo com a melhora no humor em relação à bolsa, a renda fixa continua sendo a classe de ativos preferida. O interesse por Tesouro Direto e produtos de renda fixa subiu para 75% em fevereiro, alta de 6 pontos percentuais no mês .

O interesse por ações também avançou, para 46%, aumento de 6 pontos percentuais. Já fundos imobiliários ficaram em 39%, leve recuo mensal, enquanto o interesse por ouro subiu para 16%. Criptoativos permaneceram estáveis em 11%, mesmo com a forte queda do Bitcoin (BTC) em fevereiro.

Em relação aos investimentos internacionais, 39% demonstraram interesse, ligeira alta de 1 ponto percentual. Entre os veículos preferidos estão ETFs, citados por 70% dos respondentes, seguidos por BDRs e bonds.

No campo dos riscos, a questão fiscal voltou a ganhar destaque. Para 47%, os riscos fiscais no Brasil são o principal fator de preocupação para os ativos domésticos, alta de 6 pontos percentuais no mês. Em seguida aparecem instabilidade política, com 30%, e riscos geopolíticos, com 10%.

Quando questionados sobre o que poderia elevar o apetite por risco, 57% apontaram cortes de juros no Brasil como principal catalisador. Mudança de rumo na política econômica foi citada por 43%, enquanto cortes de juros nos Estados Unidos e no restante do mundo apareceram com 18%.

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