Ibovespa fecha em queda de 1,45% com dúvidas sobre desfecho no Oriente Médio

SÃO PAULO, 26 Mar (Reuters) – O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, com a aversão a risco global desencadeada por incertezas envolvendo um desfecho para o conflito no Oriente Médio voltando a derrubar o Ibovespa após três altas seguidas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa (IBOV) recuou 1,45%, a 182.732,67 pontos, chegando a 182.570,44 pontos na mínima e marcando 185.423,77 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,5 bilhões.

No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 5,66%, a US$108,01, enquanto o S&P 500 recuou 1,74%.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o Irã precisa chegar a um acordo para encerrar a guerra ou enfrentará uma ofensiva contínua, mas uma fonte iraniana afirmou à Reuters que a proposta dos EUA é “unilateral e injusta”.

Na pauta brasileira, o IPCA-15 de março mostrou alta de 0,44%, após avanço de 0,84% em fevereiro, segundo o IBGE, acima das previsões compiladas pela Reuters, que apontavam acréscimo de 0,29%. Em 12 meses, o índice subiu 3,90%.

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De acordo com economistas do Bradesco (BBDC4), a surpresa no IPCA-15 foi concentrada basicamente em passagens aéreas e, em menor magnitude, alimentos no domicílio, esperando um resultado para o mês ainda mais elevado.

Eles destacaram que, com a atual conjuntura, com aumentos dos custos de combustíveis e fertilizantes, será mais difícil uma devolução da alta desses grupos no curto prazo.

“A geopolítica segue como maior risco para nosso cenário de inflação neste ano.”

Para estrategistas do Safra, embora o mercado ainda esteja hesitante quanto a como as tensões geopolíticas podem afetar a inflação, ainda há espaço para cortes de juros no Brasil.

“Assim, o ambiente volátil pode ser visto como uma oportunidade para buscar alternativas no mercado de ações”, afirmaram em relatório a clientes, elevando a previsão para o Ibovespa no final do ano para 220 mil pontos.

DESTAQUES

AMERICANAS ON (AMER3), fora do Ibovespa, saltou 12,62%, após pedir encerramento da recuperação judicial e divulgar redução do prejuízo no quarto trimestre.

ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) caiu 2,69%, em pregão negativo para os bancos do Ibovespa. Além do cenário externo, investidores também estão atentos a eventuais medidas para tratar os níveis elevados de endividamento da população, incluindo limites para os juros do crédito rotativo do cartão de crédito e do consignado privado. Ainda no noticiário, o Banco Central elevou a previsão para o crescimento do crédito no país para 9% este ano. BRADESCO PN (BBDC4) recuou 2,39%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) perdeu 3,35% e SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) cedeu 1,69%.

VALE ON (VALE3) recuou 0,8%, contaminada pela aversão a risco global. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 0,18%, para 817 iuanes (US$118,40) a tonelada.

PETROBRAS PN (PETR4) subiu 1,09%, em dia de alta no setor, acompanhando o movimento do petróleo no exterior. A estatal anunciou uma nova descoberta de petróleo no campo de Marlim Sul, no pré-sal da Bacia de Campos. O UBS BB elevou o preço-alvo das ações de R$40 para R$60 e reiterou recomendação de compra, assumindo um cenário de reajuste de preços de combustíveis no segundo trimestre.

EQUATORIAL ON (EQTL3) perdeu 5,24%, após queda de 20,7% no lucro líquido do quarto trimestre. O conselho aprovou submeter à assembleia proposta de redução do dividendo obrigatório.

COPASA ON (CSMG3) cedeu 1,4%, após renovar contrato de concessão com Belo Horizonte, movimento considerado crucial para a privatização da companhia. Na véspera, a ação chegou a disparar 7%.

VAMOS ON (VAMO3) subiu 0,54%, com investidores reagindo ao lucro líquido de R$77,7 milhões no quarto trimestre e às projeções para 2026.

JBS (BDR: JBSS32) avançou 5,65%, após lucro de US$415 milhões no quarto trimestre e aprovação de dividendo de US$1 por ação.

SER EDUCACIONAL (SEER3), fora do Ibovespa, disparou 15,16%, após reverter prejuízo e reportar forte crescimento de Ebitda no quarto trimestre.

T4F ON (SHOW3), fora do Ibovespa, caiu 8,28%, após balanço trimestral com prejuízo e piora no resultado financeiro.

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