
Duas grandes companhias do setor educacional na Bolsa de Valores estão com desempenhos opostos nesta quinta-feira (26) após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2025. A Ser Educacional (SEER3) está subindo uma valorização de 16,47%, a R$ 12,47, às 15h22 (horário de Brasília). Já a Cruzeiro do Sul (CSED3) despenca 8,63%, a R$ 5,61.
A primeira foi impulsionada por um balanço que superou as expectativas dos analistas e pelo anúncio de dividendos. A segunda mostrou em resultados que está pressionada por um aumento significativo em suas despesas administrativas que comprometeu a rentabilidade do período.
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Esse movimento oposto na B3 em companhias do mesmo setor reflete a forma como cada empresa converteu sua receita em valor final para o acionista. Enquanto a Ser Educacional conseguiu traduzir o aumento do faturamento em margens mais amplas e redução de dívida, a Cruzeiro do Sul viu sua expansão de vendas ser neutralizada por uma estrutura de custos mais pesada.
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Resultado da Ser Educacional
O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Ser Educacional foi classificado como sólido pelo JPMorgan e pelo Morgan Stanley, superando o consenso de mercado em até 15%.
A companhia teve uma expansão de margem que foi sustentada pela diluição de gastos e pela redução nas provisões para calotes. “O Ebitda ajustado (+23% ano a ano) superou o consenso das estimativas do MS em 10-15% devido a uma diluição significativa de custos e PDD [Provisão de devedores duvidosos]”, destacou o relatório do Morgan Stanley.
O JPMorgan reforçou que a surpresa veio da eficiência interna. “O principal elemento da surpresa veio na forma de margens brutas mais altas, que a Ser atribui ao aumento da receita no crescimento orgânico dos campi e otimização de custos”, afirmaram os analistas do banco.
A geração de caixa robusta permitiu que a Ser Educacional conciliasse a remuneração aos investidores com o fortalecimento de seu balanço. A companhia aprovou o repasse de R$ 61 milhões em proventos aos acionistas, o que representa um retorno atrativo diante do lucro apurado.
Paralelamente, a empresa conseguiu reduzir seu endividamento para o patamar de 0,9x na relação entre dívida líquida e Ebitda, o nível mais baixo registrado desde 2021. Segundo os analistas, o movimento de desalavancagem financeira indica que a operação está criando recursos suficientes para quitar obrigações e ainda distribuir lucros, diminuindo o risco para quem carrega o papel.
Custos administrativos da Cruzeiro do Sul
Apesar da expansão da receita bruta em 13%, a Cruzeiro do Sul não conseguiu converter o crescimento em lucro operacional, de acordo com os relatórios de analistas. A companhia sofreu uma retração de 4,7 pontos percentuais em sua margem Ebitda.
O aumento de 39% nas despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A) atuou como o fator central de pressão negativa nos resultados. Este salto incluiu gastos extraordinários com serviços de terceiros e consultorias que não foram totalmente justificados, segundo os analistas do MS.
Para os analistas do Itaú BBA, houve a “justificativa” que esses gastos foram com um aumento de pessoal e marketing.
O BBA classificou o balanço como “suave”. Os analistas destacaram que o desempenho foi prejudicado por um custo pontual de R$ 13,2 milhões em taxas de sucesso para consultorias de cobrança. O impacto elevou o endividamento líquido em R$ 33 milhões no trimestre.
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“A companhia reportou uma margem bruta de 47,1% neste trimestre, alta de 1,1 ponto percentual ano sobre ano, refletindo o crescimento da base de alunos nos programas de Medicina e Digital no mix”, detalhou o banco.
Apesar da frustração com os gastos, os especialistas destacaram o aumento de 1,2 p.p. na retenção de alunos presenciais. O ticket médio saudável também foi citado como fator de sustentação para o futuro da companhia.
Desafios no segmento de Medicina
Um ponto de cautela mencionado pelos analistas para ambas as instituições é a perda de ritmo no setor de saúde. Na Ser Educacional, a receita vinda de Medicina apresentou uma desaceleração mais intensa, enquanto na Cruzeiro do Sul o ticket médio desses cursos evoluiu abaixo dos índices inflacionários.
De acordo com o JPMorgan, a sustentabilidade desse motor de crescimento passa a ser monitorada de perto, uma vez que a maturação das vagas e a estratégia de preços enfrentam um ambiente mais competitivo em 2026.
| Instituição | Ativo | Recomendação | Preço-Alvo |
| J.P. Morgan | Ser | Compra | R$ 10,75 |
| Morgan Stanley | Ser | Compra | Não mencionado |
| Morgan Stanley | Cruzeiro do Sul | Compra | R$ 8,00 |
| Itaú BBA | Cruzeiro do Sul | Compra | R$ 10,00 |
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